Os representantes dos 13 blocos associados ao ABC – Aglomerado de Blocos de Carnaval de Rua se reúnem neste sábado, 31 de janeiro, a partir das 9h, no Bar do Zé, para o lançamento oficial do calendário do Carnaval de Rua de Campo Grande. O encontro marca simbolicamente o início da folia e convida a cidade a ocupar as ruas com música, cultura popular e convivência.
Mais do que divulgar datas, o ato coletivo representa o movimento “saindo da rua”. Assim, blocos e organizadores se encontram para reafirmar a identidade do Carnaval campo-grandense. Ao mesmo tempo, fortalecem a organização coletiva que sustenta a festa.
Raiz, memória e ocupação do centro
O Bloco As Depravadas, o mais antigo em atividade no Carnaval de rua, abre oficialmente a programação no dia 7 de fevereiro. Para Eliane Nobre, representante do bloco, o momento carrega forte simbolismo. “Abrir o Carnaval é uma honra enorme. Mostra que o Carnaval de rua de Campo Grande tem raiz”, afirma.
Além disso, ela destaca a importância de ocupar o centro da cidade. “O centro volta a pulsar. Vira espaço de encontro, convivência e cultura popular. É o Carnaval mostrando que a rua é do povo”, completa. Segundo Eliane, a organização atual mantém a essência do movimento. Porém, agora soma estrutura, diálogo e respeito.
Nesse contexto, o ABC surge como divisor de águas. Ao unir os blocos, a associação fortaleceu o movimento e deu voz a quem constrói o Carnaval na rua. Portanto, o crescimento vem acompanhado de identidade e memória afetiva.
Diversidade, responsabilidade e futuro da festa
Madrinha do Carnaval de Campo Grande, Silvana Valu, idealizadora do Cordão Valu, reforça que crescer também amplia responsabilidades. “Um bloco grande precisa cuidar das pessoas, do espaço público e do próprio Carnaval”, explica. Para ela, organização e diálogo com o poder público são essenciais.
Conforme Silvana, a atuação do ABC organiza esse crescimento de forma coletiva. “A associação cria diálogo, articula interesses e fortalece o Carnaval como política cultural da cidade”, ressalta. Além disso, ela defende a convivência entre blocos grandes e pequenos. “O Carnaval é diverso por natureza. Essa pluralidade garante uma festa democrática e popular.”
Encerrando a programação no tradicional Enterro dos Ossos, em 21 de fevereiro, o Forrozeiros MS leva o forró para o centro da festa. Para Michele Dayane, organizadora do bloco, o encerramento simboliza continuidade. “Mostra que o Carnaval é uma manifestação cultural viva, que não se limita aos dias oficiais”, afirma.
Atualmente presidido por Thallyson Perez, o ABC reúne 13 blocos e mantém diálogo com parceiros e agentes públicos para fortalecer o Carnaval de Campo Grande em 2026. Assim, a cidade se prepara para mais uma edição marcada por diversidade, ocupação urbana e celebração coletiva.

