Com a chegada das férias escolares e o clima de encerramento de ano, muita gente sente o corpo pedir pausa. E não é à toa. Na coluna Saúde em Foco de hoje, o tema é a importância do relaxamento para o sistema nervoso e como as férias atuam diretamente na saúde mental, no bem-estar emocional e até na forma como lidamos com o estresse da rotina.

Pessoa relaxando durante as férias, em ambiente tranquilo, representando descanso e bem-estar emocional
Imagem: freepik

Ao longo do ano, o trabalho ocupa grande parte do nosso tempo e da nossa energia. Embora seja fonte de realização, ele também pode gerar impactos silenciosos. Sobrecarga, falta de suporte e conflitos organizacionais, por exemplo, são fatores que elevam os níveis de estresse. Com o tempo, isso pode desencadear quadros de ansiedade, depressão e até a síndrome de burnout.

Por isso, as férias não devem ser vistas como luxo ou exagero. Pelo contrário. Elas são uma necessidade fisiológica e emocional. E quanto mais entendemos isso, mais passamos a valorizar o descanso como parte do cuidado com a saúde.

Quando o corpo pede pausa, o sistema nervoso agradece

Durante períodos prolongados de estresse, o sistema nervoso permanece em estado de alerta constante. É como se o corpo nunca tivesse permissão para desligar. As férias entram justamente nesse ponto. Elas ajudam a reduzir a ativação excessiva do sistema nervoso simpático, responsável pelas respostas de luta e fuga, e estimulam o sistema parassimpático, ligado ao relaxamento e à recuperação.

Além disso, viajar, passear ou simplesmente mudar o ritmo do dia favorece a regulação emocional. Ainda que os benefícios possam diminuir com o retorno à rotina, estudos mostram que pausas regulares ajudam a prevenir danos mais profundos à saúde mental. Ou seja, descansar não resolve tudo, mas faz diferença — e muita.

Autoconhecimento, vínculos e novas perspectivas

Outro ponto importante é que as férias criam espaço para algo que o cotidiano costuma roubar: tempo de qualidade. Longe das pressões profissionais e sociais, muitas pessoas se reconectam consigo mesmas. Esse afastamento favorece o autoconhecimento, a reflexão sobre escolhas e a reorganização de prioridades.

Além disso, o descanso fortalece vínculos. Estar mais presente com a família e os amigos gera sensação de pertencimento, acolhimento e prazer emocional. Esses momentos ajudam a reduzir o isolamento social e contribuem diretamente para a saúde do sistema nervoso, que responde positivamente a ambientes afetivos e seguros.

Viajar também amplia repertórios. Aprender algo novo, conhecer culturas diferentes ou explorar um novo lugar estimula o cérebro, melhora a autoestima e gera sensação de realização pessoal — fatores que colaboram para uma mente mais equilibrada.

O impacto do relaxamento em situações delicadas

Estudos apontam que até mesmo pessoas em contextos de maior vulnerabilidade emocional podem se beneficiar do descanso e das experiências ligadas às viagens. Pesquisas mostram que atividades culturais, passeios ao ar livre e até a lembrança positiva de viagens anteriores ajudam a regular emoções, reduzir estresse e criar sentimentos de esperança.

Essas experiências também favorecem funções cognitivas, como memória e atenção, além de diminuírem o sentimento de solidão. Mesmo em situações em que viajar não é possível, o simples ato de recordar bons momentos já exerce efeito restaurador sobre a mente.

Descansar também é um ato de saúde

Nos últimos dias do ano, a mensagem da coluna Saúde em Foco é clara: desacelerar é necessário. Férias não são apenas diversão. Elas são parte fundamental do cuidado com o corpo, com a mente e com o sistema nervoso.

Viajar, passear, descansar ou simplesmente mudar a rotina é, acima de tudo, um gesto de autocuidado. E, em tempos tão acelerados, permitir-se pausar pode ser um dos maiores presentes de fim de ano.

Artigo escrito pela Drª Gláucia Villany, enfermeira especialista

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