Cena do documentário Mulheres da Fronteira com cozinheiras pantaneiras reunidas em cozinha rústica, preparando pratos típicos do Pantanal

“Mulheres da Fronteira” é uma travessia pelas cozinhas que preservam saberes e alimentam territórios. Ao longo de dois meses de gravações e cerca de nove meses de produção, a equipe percorreu cidades que respiram o coração do Pantanal brasileiro.
As entrevistas foram realizadas no múltiplo ateliê da artista visual Lúcia Martins Coelho, em Campo Grande, ambiente que une arte, sensibilidade e pertencimento.
As protagonistas formam uma verdadeira comitiva de sabores: Dona Domingas Torales, cozinheira de tradição; Maria Adelaide de Paula Noronha, fundadora do Buffet Yotedy; Cristina da Rocha, pioneira do turismo gastronômico em Miranda e dona da Pousada Pioneiro; Lidia Aguilar Leite, turismóloga, chef e proprietária do Recanto Vale do Sol Turismo Rural, em Corumbá; Taina Elias Lopes, chef do restaurante Comitiva do Helinho, em Campo Grande; Kalymaracaya, primeira chef indígena do Brasil, da etnia Terena; e Jadi Tamasiro, à frente do emblemático Jadi Sobá, na Feira Central de Campo Grande.

Histórias de resistência, afeto e orgulho pantaneiro

Cada personagem tempera o documentário com sua maneira própria de cozinhar e existir. Assim, saberes ancestrais, criatividade cotidiana e resistência aparecem em cada depoimento.
Para Lidia Aguilar Leite, que há 25 anos divulga a gastronomia pantaneira em Corumbá, o sentimento é de orgulho. “Foi muito gratificante participar do documentário. Precisamos divulgar a nossa cultura fronteiriça, dar valor a ela e não deixar morrer nossas tradições, pois nós, Mulheres da Fronteira, fazemos parte da história”, afirma.
Já Kalymaracaya Nogueira destaca o reencontro com suas origens. Ela conta que o filme a levou de volta à infância na aldeia, ao lado da mãe, da avó e das tias. “Cada prato que citei vai além de simples comida. Representa um ato de resistência e uma forma de manter viva nossa identidade, transmitindo os saberes para as próximas gerações”, explica.
Segundo a chef, o documentário Mulheres da Fronteira também abre espaço para que mais pessoas conheçam e respeitem a cultura indígena. “Meu desejo é que o documentário sirva como reflexo para minhas patrícias e como porta de entrada para que mais pessoas possam nos valorizar”, completa.

Paulo Machado transforma pesquisa em cinema

O projeto nasce das mais de duas décadas de pesquisa de Paulo Machado sobre a cozinha pantaneira. Para o diretor, as mulheres sempre estiveram no centro dessa gastronomia, embora, muitas vezes, longe dos holofotes.
Dirigir Mulheres da Fronteira – Uma Comitiva de Sabores pelo Pantanal foi, antes de tudo, um mergulho em histórias de vida que se encontram na cozinha”, conta Paulo. Ele explica que convidou sete mulheres que admira pela forma como transformam o entorno. “Cada uma delas habita lugares onde as fronteiras não se limitam ao mapa”, resume.
A equipe reúne nomes de peso. A direção de fotografia é de Frico Guimarães, com experiência internacional em cinema, enquanto Mônica Guimarães assume a distribuição, trazendo sua trajetória em festivais.
A direção técnica é assinada por Bruno Loiácono, que define o resultado como uma tradução do Pantanal em filme. Foram 17 horas de material bruto, que ganharam ritmo próprio. “O processo foi de escuta e precisão, como se cada corte fosse um compasso. Tudo foi afinado à mão: ritmo, cor, som e silêncio”, descreve Bruno.

Viola caipira conduz trilha sonora do Pantanal

Na construção da alma do documentário, a trilha sonora ocupa lugar central. Em Mulheres da Fronteira, a viola caipira conduz a sonoridade, atravessando paisagens do Pantanal e de Mato Grosso do Sul.
Sob a direção do produtor musical Rodrigo Faleiros, responsável por toda a trilha, o som se transforma em narrativa. Segundo ele, a viola funciona como fio condutor. “Ela costura praticamente toda a trilha sonora do filme. É como um maestro que conecta as emoções e valoriza cada instrumento”, explica.
A trilha nasce da essência pantaneira e se espalha em acordes de pertencimento. Além disso, estará disponível em todas as plataformas digitais a partir de 1º de dezembro, permitindo que o público reviva as emoções e paisagens sonoras do documentário Mulheres da Fronteira mesmo fora da tela.

Estreia em Campo Grande, acessibilidade e circulação em festivais

A estreia oficial de Mulheres da Fronteira – Uma Comitiva de Sabores pelo Pantanal acontece em dezembro de 2025. A pré-estreia será no dia 8, às 16h30, no Museu da Imagem e do Som (MIS), em Campo Grande.
No dia 10 de dezembro, às 19h, o documentário terá lançamento simultâneo no Cinemark Campo Grande e no YouTube, ampliando o acesso ao público geral. As sessões no MIS e no Cinemark serão exclusivas para imprensa, autoridades e equipe.
A partir de 2026, o filme segue para festivais nacionais e internacionais de cinema, gastronomia e documentário, levando a cozinha pantaneira e suas protagonistas para novas fronteiras.
Realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, o documentário é totalmente acessível, com audiodescrição, legendas e tradução em Libras, garantindo inclusão de diferentes públicos.
No fim, Mulheres da Fronteira fala sobre quem alimenta o Pantanal há gerações. Fala de cozinhas que são território, afeto e fronteira viva. E fala de mulheres que, com colher de pau e coragem, moldam identidades e servem pertencimento à mesa.

Confira o trailer

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