A polilaminina, substância desenvolvida após 25 anos de pesquisa na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desponta como uma das notícias científicas mais comentadas no início de 2026. Em janeiro, a Anvisa autorizou o início dos ensaios clínicos em humanos, reforçando a expectativa de avanços no tratamento de lesões medulares e na regeneração neural.

Considerada por especialistas como uma possível esperança contra a paralisia, a substância ainda está em fase de estudos. Ainda assim, já desperta atenção da comunidade científica e do público.

Pesquisa brasileira avança com testes clínicos inéditos

A polilaminina é um polímero sintético derivado da laminina, proteína presente na placenta humana que auxilia no crescimento dos neurônios durante a gestação. A pesquisa foi conduzida pela equipe da Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, na UFRJ, e atua como um “andaime” biológico capaz de auxiliar na regeneração neural.

Em 5 de janeiro de 2026, a Anvisa autorizou o início dos testes clínicos de Fase 1. O estudo inicial envolve cinco pacientes com lesão medular torácica aguda completa. A aplicação deve ocorrer em até 72 horas após o trauma, por meio de procedimento cirúrgico.

Dados preliminares de um estudo-piloto com oito pacientes indicaram que 75% apresentaram algum nível de recuperação de movimento. O índice é significativamente superior aos 15% observados em tratamentos convencionais.

Quem é Tatiana Sampaio e o papel da ciência brasileira

Tatiana Coelho Sampaio é bióloga e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Desde 1997, a cientista dedica sua carreira ao estudo da polilaminina, versão derivada da laminina, proteína produzida naturalmente pelo corpo humano.

Antes do início dos testes com a polilaminina, pacientes estão acionando a Justiça em busca do tratamento — Foto: Reprodução/TV Globo

No início deste ano, o resultado de quase três décadas de pesquisa se transformou em um medicamento 100% brasileiro autorizado pela Anvisa a iniciar a fase 1 de estudos clínicos.

A pesquisa pioneira conseguiu produzir em laboratório uma rede de proteínas que se torna mais escassa no organismo ao longo da vida. Em estudos anteriores, a substância foi aplicada em oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos, com recuperação de movimentos em seis deles.

Agora, a polilaminina deixa o ambiente exclusivamente acadêmico e entra na fase clínica para avaliação de segurança. Cinco pacientes com lesão completa da medula espinhal receberão uma única aplicação e serão acompanhados por seis meses para análise de possíveis reações adversas.

Como a substância atua no organismo

Diferente de terapias apenas paliativas, a polilaminina cria uma ponte física e química na medula lesionada. Assim, protege os neurônios sobreviventes e estimula o crescimento dos axônios, permitindo restabelecer a comunicação com o corpo.

Especialistas explicam que a substância ajuda a evitar a morte celular após o trauma e incentiva a regeneração neural. Dessa forma, surge como uma alternativa promissora para o futuro da medicina regenerativa.

Expectativa cresce, mas especialistas reforçam cautela

Apesar do entusiasmo, pesquisadores destacam que a polilaminina ainda não é um medicamento disponível comercialmente. Além disso, a eficácia para lesões crônicas ainda não foi comprovada.

Recentemente, vídeos de pacientes em reabilitação viralizaram nas redes sociais, aumentando o interesse público. No entanto, a comunidade científica reforça a importância de acompanhar os resultados dos estudos clínicos antes de conclusões definitivas.

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