Em Campo Grande, o que parece apenas mais um dia comum pode esconder uma transformação tecnológica de ponta. A rede subterrânea da cidade está ganhando “olhos digitais” — sensores, sistemas de monitoramento e inteligência artificial — que detectam perdas, controlam vazões e ajudam a prevenir enchentes.
Essas inovações colocam a capital entre as cidades brasileiras mais avançadas em saneamento, com 100% de abastecimento de água tratada e 94% de cobertura de esgoto, segundo dados confirmados pela Águas Guariroba.
“Campo Grande reduziu o índice de perdas de água tratada de 50% para 19%, enquanto a média nacional ainda ultrapassa 40%. Esse resultado vem de investimentos em tecnologia, automação e gestão inteligente”, destaca Gabriel Buim, diretor-presidente da Águas Guariroba.
O coração tecnológico do saneamento
O Centro de Controle de Operações (CCO) é o verdadeiro cérebro do sistema. Em um ambiente altamente digitalizado, dezenas de telas mostram em tempo real o funcionamento de toda a rede de água e esgoto da cidade.
Sensores e macromedidores detectam variações mínimas de pressão e vazamentos não visíveis, enquanto softwares e inteligência artificial cruzam dados de consumo e clima para prever cenários e otimizar o abastecimento.
“A tecnologia é peça-chave para garantir saneamento resiliente, eficiente e sustentável. Investimos em automação, análise preditiva e digitalização total dos processos”, explica Buim.
📊 Indicadores que fazem diferença
- • 100% da população urbana recebe água tratada
- • 94% têm rede de esgoto (meta: 98% até 2028)
- • Índice de perdas: 19% (média nacional: 40%)
- • Média de 280 milhões de litros captados por dia
- • Picos de até 310 milhões em dias de calor
- • Monitoramento 24h garante resposta imediata
Quando a tecnologia chega na torneira
Nos bairros mais afastados, o impacto dessa modernização é sentido na rotina.

“Antes, a água parava de chegar e a gente nunca sabia o motivo. Agora é diferente: quando acontece algo, eles já sabem e resolvem rápido. Dá pra ver que tem tecnologia trabalhando por trás”, conta Luce Ferreira moradora do Caiobá há 15 anos.
A concessionária também utiliza ferramentas digitais para acompanhamento de ordens de serviço, permitindo respostas rápidas e transparentes às demandas dos moradores.
O futuro é digital
O projeto de Inteligência Artificial desenvolvido com a UFMS permite prever a vazão dos mananciais com até seis meses de antecedência. A tecnologia simula o comportamento hidrológico das bacias e antecipa períodos de estiagem, possibilitando decisões estratégicas com antecedência.
“Com essa ferramenta, conseguimos planejar o sistema, garantir resiliência hídrica e assegurar o abastecimento 24 horas por dia”, reforça Buim.
Um modelo que inspira o país
Campo Grande mostra que inovação e eficiência não são exclusivas das grandes metrópoles. Ao integrar tecnologia, automação e gestão sustentável, a capital se consolida como referência nacional em saneamento inteligente.
“Nosso objetivo é garantir eficiência e qualidade para toda a população. A tecnologia é o caminho para um saneamento moderno, acessível e sustentável”, finaliza Buim.
Com o uso integrado de sensores, inteligência artificial e monitoramento 24 horas por dia, Campo Grande prova que inovação pode — literalmente — correr pelos canos. A capital sul-mato-grossense mostra que o futuro do saneamento já começou: tecnologia que antecipa problemas, reduz desperdícios e garante que, quando a torneira abre, a água está sempre lá. Uma revolução silenciosa que transforma dados em dignidade e eficiência em qualidade de vida.

