A programação começa às 9h no CEU Lageado com “Saltimbembe Mambembancos”, da Rosa dos Ventos (SP). Desde a abertura, o espetáculo conduz o público a uma atmosfera nostálgica e afetuosa, marcada pela estética dos circinhos de lona, dos artistas itinerantes e da comicidade popular que moldou o imaginário de muitas gerações. Além disso, a montagem preserva a essência dos jogos de improviso, que continuam vivos na cultura popular.
“Somos muito influenciados pelas gags clássicas, pelos palhaços de rua, pelos vendedores de pomada milagrosa e pelos pandeiristas repentistas”, afirma Tiago Munhoz, integrante da companhia. Por isso, o espetáculo transforma o palco em um espaço de troca constante com crianças e adultos, reforçando a ideia de que a palhaçaria é, antes de tudo, um diálogo vivo.
Enquanto isso, o CEU Noroeste recebe novas sessões de “TICTAC – Um Esquete sobre o Tempo” (Três Lagoas/MS) e “Vendê – Graça na Praça” (Chalito). Assim, a manhã se completa com obras que conversam com escolas, educadores e estudantes, fortalecendo a presença da palhaçaria nos territórios formativos da cidade.
Noite traz virtuose, caos e estreia nacional
No início da noite, às 18h, o Centro Cultural José Octávio Guizzo se transforma no cenário vibrante de “Mix Dux”, do Circo Dux (RJ). O espetáculo combina precisão técnica e humor despretensioso, criando uma sensação constante de risco e surpresa. Além disso, a montagem homenageia os parques itinerantes e toda a energia da rua.
“O público vê a virtuose, mas também vê o tropeço. E é nesse intervalo que a graça acontece”, explica Lucas Schindler Moreira, artista da companhia. Dessa forma, o espetáculo celebra a tradição circense enquanto aponta para um circo contemporâneo — plural, acessível, afetuoso e em plena transformação.
Logo depois, às 19h, o Teatro Aracy Balabanian recebe a estreia de “La Trattoria”, dos Los Circo Los (SP). A comédia física mergulha no caos cotidiano de um restaurante e transforma cada falha em potência cômica. Além disso, a obra marca o primeiro espetáculo da companhia criado exclusivamente para palco, inaugurando uma nova fase de pesquisa.
“Queríamos sair da zona de conforto. Sempre tivemos a técnica para ‘salvar’ uma cena, mas queríamos entender o que acontece quando ela falha — e como transformar isso em potência”, comenta Vitor Poltronieri. Com isso, o grupo entrega uma obra que dialoga com públicos diversos, inclusive internacionais, já que a comicidade física ultrapassa fronteiras.
Quarta encerra a Mostra com solo potente
A Mostra se despede na quarta-feira, 11 de dezembro, com “Desajustada”, da Cia Pé de Vento (SC), às 19h, no Teatro Prosa SESC Horto. Criada e interpretada por Vanderleia Will, a obra investiga as estruturas que oprimem as mulheres — físicas, simbólicas e sociais. E, ao mesmo tempo, revela como o humor pode ser ferramenta de resistência.
A personagem tenta caber no mundo; entretanto, descobre no desajuste, na falha e na liberdade o seu modo de existir. Assim, o encerramento da Mostra se torna poético e profundamente sensível, reafirmando a palhaçaria como linguagem capaz de transformar realidades.
Programação completa — Terça e Quarta
TERÇA — 10/12
9h – “Saltimbembe Mambembancos” – Rosa dos Ventos (Presidente Prudente/SP) – CEU Lageado
9h – “TICTAC – Um Esquete sobre o Tempo” – Três Lagoas/MS – CEU Noroeste
9h30 – “Vendê – Graça na Praça” – Chalito – CEU Noroeste
18h – “Mix Dux” – Circo Dux/RJ – CCJOG
19h – “La Trattoria” – Los Circo Los/SP – Teatro Aracy Balabanian
QUARTA — 11/12
19h – “Desajustada” – Cia Pé de Vento (Florianópolis/SC) – Teatro Prosa SESC Horto
Classificação: 14 anos

