Dádiva Pavão, criadora da Caramelo Dadí Pipocas Gourmet, durante feira em Campo Grande.
Dádiva Pavão transformou a experiência nas feiras de Campo Grande em um negócio que hoje reúne mais de 50 sabores de pipoca gourmet

Quem encontra Dádiva Pavão em uma feira de Campo Grande provavelmente experimenta uma pipoca antes mesmo de decidir se vai comprar.

Ela oferece, explica os sabores, conversa, pergunta do que a pessoa gosta e acompanha a reação à primeira mordida. Aliás, é o que chama de “degustação assistida”.

Foi assim que conheci a Caramelo Dadí Pipocas Gourmet. Primeiro veio a simpatia da dona. Depois, a experiência de provar o produto. E bastou para entender por que há clientes que procuram a marca de feira em feira.

Porém, a história da Caramelo Dadí começou justamente nesse circuito — e quase por acaso.

Tudo começou com outro produto

Antes das pipocas, Dádiva tinha uma loja física de produtos infantis e papelaria. Depois de dois anos e meio, decidiu vender o negócio. Estava sobrecarregada e queria voltar a trabalhar com criatividade de uma forma mais leve.

Então, começou produzindo velas e sabonetes artesanais. Em seguida, passou a participar das feiras de Campo Grande por incentivo de uma amiga.

Os produtos chamavam atenção, mas havia um problema curioso: eram tão detalhados que muita gente dizia ter “dó de usar”. Por isso, as vendas não acompanhavam os elogios.

Até que, durante uma edição da Feira Bosque da Paz, Dádiva passou o dia observando um vendedor de pipoca.

Enquanto ela tinha dificuldade para vender, o carrinho não parava.

“Amor, a gente precisa mexer com alguma coisa de alimentação”, contou ter dito ao marido ao chegar em casa.

Pouco depois, a resposta para o que venderia apareceu em outra feira.

Uma pipoca mudou o caminho

Na Feira do Baobá, Dádiva experimentou uma pipoca gourmet. Até então, ela própria estranhava a ideia de combinar pipoca com chocolate ou leite em pó.

Mesmo assim, resolveu experimentar. Comprou um pacote de paçoca e outro de pipoca caramelizada. Além disso, ficou intrigada ao descobrir que a expositora produzia mais de 20 sabores.

Dádiva e o marido decidiram testar a ideia.

Para começar, ela comprou um curso básico, de menos de R$ 30, para aprender os fundamentos. A primeira venda aconteceu justamente na Feira do Baobá.

A partir dali, aquela criatividade que antes aparecia nas velas e sabonetes migrou para a cozinha.

Hoje, segundo a empreendedora, a Caramelo Dadí produz mais de 50 sabores. Dádiva diz que desenvolve as próprias combinações e criou também um caramelo autoral.

Além disso, a degustação virou parte importante da experiência.

Muita gente chega procurando sabores conhecidos. No entanto, Dádiva propõe experimentar outros primeiro. Frequentemente, conta ela, o cliente sai com o sabor que pretendia comprar e mais uma descoberta na sacola.

Mais que vender pipoca

Existe uma característica da Caramelo Dadí que não cabe na embalagem: o atendimento.

Dádiva acumula mais de 15 anos de experiência em comércio e gestão. Para ela, atender bem vem antes de vender. Por isso, faz questão de conversar e conduzir pessoalmente a degustação nas feiras.

Talvez isso ajude a explicar o crescimento rápido.

A Caramelo Dadí Pipocas Gourmet completou um ano em julho. Nesse período, conquistou clientes que passaram a procurar a marca nos eventos. Além disso, já realizou entregas para mais de cinco cidades de Mato Grosso do Sul.

No Festival Internacional da Carne, por exemplo, a produção preparada para três dias começou a esgotar já no primeiro. Por isso, a equipe virou a noite refazendo dois sabores. Ainda assim, no segundo dia, todo o estoque havia acabado.

O negócio também cresceu na produção. O que começou com Dádiva e o marido hoje envolve quatro pessoas. Mesmo assim, ela diz que prefere limitar a quantidade produzida a mudar o processo para ganhar escala.

Enquanto isso, novos caminhos começam a aparecer.

Dádiva criou, em sociedade com Ingrid, a Caramelo Dadí no Pote, dedicada às pipocas gourmet com recheios. Atualmente são mais de nove opções de recheio. Além disso, novos sabores estão em desenvolvimento.

Agora, o próximo sonho é chegar às redes de supermercados. Para isso, a empresa trabalha na estruturação de uma fábrica adequada às exigências sanitárias.

Apesar dos planos de expansão, existe uma essência que Dádiva não parece disposta a abandonar.

A feira.

Afinal, foi ali que ela começou. Foi ali que encontrou a pipoca gourmet. E é ali que continua vendo de perto a expressão de quem experimenta uma criação sua pela primeira vez.

Talvez seja exatamente por isso que a Caramelo Dadí não venda apenas pipoca. Ela vende aquela experiência gostosa de descobrir algo em uma feira e querer saber onde vai encontrá-lo de novo.

Quer saber mais? Acesse @caramelodadi

Eu e Dádiva, na primeira edição da Feira da Lagoa Itatiaia

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