
Depois de mais de 40 anos ligados à Medicina Veterinária, uma carreira acadêmica, experiências na música e dez anos de idas e vindas à Índia, José Carlos Thimoteo Lobreiro começa um novo capítulo aos 75 anos. Agora como Zé Lobreiro, ele lança nesta quarta-feira (16), em Campo Grande, seu primeiro livro.
“Vila DuZé: o Santuário das Almas Entrelaçadas” será apresentado ao público às 19h, na Estação Cultural Teatro do Mundo. O lançamento tem entrada gratuita.
Com mais de 100 páginas, a obra mistura experiências pessoais, filosofia oriental, espiritualidade e referências à ciência. Para construir esse universo, Lobreiro criou personagens que carregam diferentes partes de sua própria trajetória.
Uma vida dentro dos personagens
Nascido em Salto Grande, no interior de São Paulo, Thimoteo chegou a Campo Grande em 1973.
Na Capital, estudou e construiu uma longa trajetória profissional. Foi médico veterinário da UFMS, pesquisou pecuária orgânica e passou períodos nos Estados Unidos e na Itália para continuar sua formação.
Depois de mais de quatro décadas na Medicina Veterinária, porém, resolveu mudar de direção.
Durante dez anos, foi e voltou da Índia. Nesse período, aprofundou experiências relacionadas à meditação, alimentação, terapias e filosofia oriental.
Agora, parte dessa inquietação aparece na literatura.
“Tudo o que está no livro, de alguma forma, são minhas experiências de vida ou algo em que eu acredito”, explica Lobreiro.
Entre ciência e espiritualidade
Em “Vila DuZé”, personagens diferentes habitam um universo que mistura realismo mágico, filosofia oriental e neurociência.
Entre eles está Zezé Rezadeira, personagem ligada à ancestralidade e à reverência aos antepassados.
Outro morador é Dr. Lumíolo Waves, um cientista que deixa o ambiente universitário em busca de respostas para questões que ultrapassam o laboratório.
Já Analuz Vida é uma viajante interessada pelo budismo que percorre diferentes lugares em busca de conhecimento.
Embora sejam personagens ficcionais, Lobreiro reconhece partes de si em cada um deles.
“Apresento os personagens quase como se fossem arquétipos do meu eu, do ser humano. E trago questionamentos. Onde estamos? O que estamos fazendo aqui? De onde viemos?”, afirma.
Da música para a literatura
A literatura é apenas a mais recente das linguagens exploradas pelo autor.
Lobreiro também tem uma relação antiga com a música. Segundo ele, o interesse começou ainda aos três anos, quando ouvia rádio e acompanhava as canções batucando em uma lata de bolachas.
Anos depois, em Campo Grande, integrou o Grupo Regional de Choro Agemaduomi, ligado ao choro e ao samba no início dos anos 2000.
Além disso, participou da Orquestra Clássica do maestro Diniz e do Madeira e Metais, sob regência do maestro Tarcizio.
Sua trajetória também cruzou nomes da cultura sul-mato-grossense, como Maria da Glória Sá Rosa, Albana Xavier, Hildebrando Campestrini, Américo Calheiros e Jair Damasceno.
Um novo nome aos 75 anos
A estreia na literatura também vem acompanhada de uma mudança simbólica. José Carlos Thimoteo Lobreiro passa a assinar artisticamente como Zé Lobreiro.
Segundo o escritor, ele é o último Lobreiro da família e não teve filhos. Por isso, decidiu valorizar o sobrenome também como forma de permanência.
O livro surge justamente dessa vontade de compartilhar as experiências acumuladas ao longo da vida.
“Devido à minha inquietude, de querer e viver sempre mais, hoje posso compartilhar várias reflexões”, afirma.
E os planos podem ir além das páginas. Lobreiro já manifesta o desejo de transformar “Vila DuZé” em peça de teatro ou produção audiovisual.
Para Fernando Lopes Lima, diretor do Teatro do Mundo, o lançamento também apresenta ao público uma nova faceta de um artista já conhecido na cena cultural da cidade.
“Ele é um artista que eu conheço muito bem como músico e agora vou conhecer como escritor. É uma pessoa inquieta, pensante, interessante e que tem muito para contribuir com a literatura”, afirma.