
A popularização das chamadas canetas emagrecedoras mudou o tratamento da obesidade e trouxe resultados expressivos na redução do peso. No entanto, enquanto a balança aponta números menores, outro indicador merece atenção: quanto de massa muscular está sendo preservado durante esse processo?
Medicamentos à base de análogos de GLP-1 e receptores duplos, como semaglutida e tirzepatida, podem levar a uma perda significativa de peso. Porém, segundo o educador físico e personal trainer Antonio Arruda, o tratamento não substitui a atividade física.
Sem um programa adequado de exercícios, especialmente de força, parte da redução corporal pode vir acompanhada de uma perda maior de massa magra.
O assunto será um dos destaques da Fitness Brasil Expo 2026, evento do setor fitness que terá Arruda entre os palestrantes.
Músculos importam
A preocupação não é apenas estética. Os músculos têm participação importante no metabolismo e na funcionalidade do corpo.
Por isso, Arruda alerta que a perda excessiva de massa muscular durante o emagrecimento pode trazer consequências que aparecem principalmente com o avanço da idade.
“Quando há uma diminuição de massa muscular, há uma perda na funcionalidade, principalmente durante o envelhecimento”, explica.
Nesse sentido, emagrecer sem preservar os músculos pode representar um problema no longo prazo. Segundo o especialista, o objetivo deve ser reduzir o peso sem comprometer força, autonomia e capacidade funcional.
O que priorizar no treino?
Para Arruda, o fortalecimento muscular não pode ficar de fora da rotina de quem utiliza esse tipo de medicamento.
Entre os exercícios citados por ele estão movimentos estruturais, como agachamento, levantamento terra, supino e remadas, sempre dentro de um treinamento adequado às condições de cada aluno.
Além disso, a intensidade e o volume precisam ser individualizados.
Isso acontece porque doses maiores da medicação podem provocar uma inibição mais acentuada do apetite e, consequentemente, menor ingestão calórica.
Nessas situações, segundo Arruda, aumentar indiscriminadamente o volume de exercícios pode não ser a melhor estratégia.
“Quando a dosagem está alta, diminua um pouco o treino aeróbico e faça mais musculação”, orienta.
Ele também recomenda, dentro de uma prescrição individualizada, trabalhar com cargas maiores e intervalos mais longos entre as séries, que podem chegar a dois minutos. Dessa forma, o praticante consegue se recuperar melhor antes do próximo esforço.
E o aeróbico?
A orientação não significa abandonar caminhada, corrida, bicicleta ou outras atividades cardiovasculares.
O ponto levantado pelo especialista é outro: quando existe maior restrição calórica provocada pelo tratamento, preservar a musculatura precisa ganhar espaço no planejamento do treino.
Assim, musculação e exercícios aeróbicos devem ser distribuídos de acordo com a fase do tratamento, a alimentação, a resposta individual e as condições físicas de cada pessoa.
Professor precisa saber da medicação
Outro ponto destacado por Arruda é a comunicação entre aluno e profissional.
Quem utiliza medicamentos para emagrecimento deve informar ao personal trainer ou professor de Educação Física qual medicamento está usando e a dose aplicada. Isso permite que o treinamento seja ajustado ao momento do tratamento.
Segundo ele, essa periodização pode exigir mudanças frequentes e até ajustes dentro dos chamados microciclos.
Por isso, não existe uma ficha de treino única para todas as pessoas que utilizam canetas emagrecedoras.
“Cada caso tem que ser analisado individualmente, com treinos exclusivos e o devido acompanhamento”, reforça.
No fim, a lógica vai além de perder quilos. O desafio é emagrecer preservando força, músculos e funcionalidade.
*Antonio Arruda é educador físico, personal trainer, mestre em bioquímica e palestrante da Fitness Brasil Expo 2026.
