Mais de duas décadas após a doação de documentos históricos ao Museu da Imagem e do Som (MIS), a memória da dança em Mato Grosso do Sul ganha um novo capítulo. Por meio do projeto Acervo da Dança Sul-Mato-Grossense, a bailarina, pesquisadora e produtora cultural Maria Fernanda Figueiró digitalizou parte importante desse patrimônio cultural e ampliou o acesso público a registros que ajudaram a construir a trajetória da dança no Estado. A iniciativa foi aprovada pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e nasceu a partir de uma descoberta que uniu passado, memória e legado familiar.
Quando a memória encontra novas gerações
O projeto tem origem em um gesto realizado por Sarah Abussafi Figueiró, falecida em 2019. Em 2002, ela entregou ao MIS documentos da Associação Sul-Mato-Grossense dos Profissionais de Dança (ASMPD), entidade que presidiu e que liderou importantes movimentos da dança sul-mato-grossense. Anos depois, a neta descobriu essa doação ao pesquisar materiais para o espetáculo “Chafica”, criado em homenagem à avó.

A descoberta despertou um novo propósito. Ao visitar o museu, Maria Fernanda encontrou documentos, registros administrativos, folders e dezenas de horas de conteúdo audiovisual armazenado em fitas VHS. A partir desse reencontro, decidiu ampliar o alcance do acervo e garantir sua preservação para futuras gerações.
Além disso, um fato simbólico marcou a execução do projeto. Maria Fernanda assinou o termo de empréstimo das fitas para digitalização em 7 de agosto de 2025. O documento original da doação feita por Sarah estava datado de 6 de agosto de 2002. A coincidência de datas reforçou o sentimento de continuidade entre as duas gerações.
Festivais e personagens que ajudaram a construir a dança
Entre os materiais preservados estão registros dos tradicionais Festivais Sul-Mato-Grossenses de Dança. Durante treze edições, realizadas entre 1985 e 1998, os eventos reuniram academias, companhias, grupos artísticos e profissionais de diversas regiões do país. Além disso, promoveram oficinas, intercâmbios e processos de formação que influenciaram gerações de bailarinos.
Ao longo dos anos, os festivais receberam importantes nomes da dança brasileira, como Ballet Stagium, Grupo Raça, Quasar Cia. de Dança, Ballet Paula Castro e Cia. Cisne Negro. Da mesma forma, personalidades reconhecidas nacionalmente participaram como jurados e convidados especiais, fortalecendo a relevância do evento no cenário cultural brasileiro.

Um dos registros mais emocionantes encontrados no acervo traz uma dedicatória escrita pelo bailarino Carlinhos de Jesus durante a 13ª edição do festival. A mensagem evidencia o reconhecimento nacional ao trabalho desenvolvido por Sarah e pela ASMPD na consolidação da dança em Mato Grosso do Sul.
Agora, todo esse material passa a integrar uma plataforma digital criada para preservar e difundir a memória da dança sul-mato-grossense. O site reúne documentos históricos e abre caminho para futuras incorporações de novos registros, ampliando a compreensão sobre a construção artística do Estado. Para Maria Fernanda, preservar esses arquivos significa valorizar quem abriu caminhos para as gerações atuais e garantir que essas histórias continuem inspirando novos artistas.



