Chico Chico encerrou o Festival da Juventude 2026 na noite de sábado (28), em Campo Grande, ao subir ao Palco Livre no estacionamento do Teatro Glauce Rocha e conduzir o público por um espetáculo intenso, sensível e profundamente conectado à proposta do evento.
Presença, entrega e conexão no palco
Desde o início, Chico Chico rompeu qualquer distância entre artista e plateia. Vestido de forma simples, ele parecia mais um jovem entre tantos, até transformar o espaço com sua presença.
Logo nas primeiras falas, estabeleceu um convite direto ao público. Em seguida, reforçou esse diálogo ao repetir, entre as músicas, um pedido constante: “canta, canta!”. Como resultado, o público respondeu com intensidade.
Além disso, o repertório ampliou a experiência. Pela primeira vez em Mato Grosso do Sul, o artista apresentou o álbum “Let It Burn / Deixa Arder”, transitando com naturalidade entre folk, blues, rock e música brasileira.
Ao mesmo tempo, a performance revelou mais do que técnica. O show expôs entrega, verdade e uma construção artística que equilibra sensibilidade e força.
Nesse contexto, o encerramento dialogou com a abertura do festival. Enquanto Ney Matogrosso trouxe a maturidade da experiência, Chico Chico apresentou o frescor da nova geração, criando uma continuidade simbólica entre tempos e linguagens.
Abertura reforça identidade e protagonismo local
Antes de Chico Chico, quem abriu a noite foi Karla Coronel, estabelecendo um elo potente entre passado e presente por meio de uma apresentação sensível e cheia de identidade.
Nascida no Paraguai e criada em Mato Grosso do Sul, a artista conduziu o público por um repertório que transita entre o rock nacional, a música latina e suas composições autorais.

Ao mesmo tempo, Karla construiu momentos de forte impacto ao reinterpretar clássicos como “Tempo Perdido”, da Legião Urbana, e “Ideologia”, de Cazuza. Além disso, evocou a força de Elza Soares ao apresentar “O que se cala”, transformando a canção em um posicionamento direto contra o feminicídio, especialmente voltado à juventude.
Em meio a esse percurso, a artista também apresentou músicas autorais, como “Avião”, reafirmando sua identidade artística e consolidando sua presença no cenário regional.
“É uma honra fazer parte do FestJuv e estar aqui na abertura do show do Chico Chico. Poder apresentar minhas músicas também torna tudo ainda mais especial”, destacou.
Para o público, a conexão entre os dois artistas foi imediata. A estudante Laila Perez, de 17 anos, resumiu a percepção da noite ao destacar a representatividade geracional. “Foi incrível ver dois jovens tão talentosos. Ela daqui e ele em destaque nacional. Eles representam muito bem o cenário atual”, afirmou.


