Passar horas no celular, trabalhar diante do computador e permanecer sentado durante grande parte do dia virou rotina para milhões de brasileiros. No entanto, esses hábitos também ajudam a explicar um fenômeno que tem chamado a atenção dos especialistas: o aumento dos casos de dores na coluna e hérnia de disco entre jovens de 20 e 30 anos.
Até poucos anos atrás, esse tipo de problema aparecia principalmente após os 40 anos. Hoje, médicos observam um número crescente de pacientes mais jovens chegando aos consultórios com dores persistentes e limitações que comprometem atividades simples do dia a dia.

Segundo o neurocirurgião especialista em cirurgia da coluna Dr. Halisson Yoshinari, a mudança está diretamente ligada ao estilo de vida moderno.
“Hoje vemos pacientes muito mais jovens apresentando problemas que antes eram esperados apenas depois dos 40 ou 50 anos. O estilo de vida mudou e a coluna está pagando essa conta”, afirma o médico.
Celular, computador e sedentarismo estão entre os principais vilões
O especialista explica que longos períodos diante de telas favorecem posturas inadequadas e aumentam a sobrecarga sobre a coluna vertebral. Além disso, a falta de atividade física reduz a capacidade da musculatura de sustentar corretamente a região.
Quando esse comportamento se mantém por meses ou anos, pequenos desconfortos podem evoluir para dores frequentes. Em pessoas com predisposição genética, o processo pode acelerar o surgimento de hérnias de disco.
Exercícios também exigem atenção
A prática de atividade física ajuda a proteger a coluna. Por outro lado, treinos executados sem orientação podem produzir o efeito contrário.
Segundo Dr. Halisson, muitos jovens iniciam modalidades como musculação, crossfit e corrida aumentando rapidamente a intensidade dos exercícios. Como consequência, alterações que antes permaneciam silenciosas podem provocar dores importantes.
“Nesse momento, pequenas alterações que estavam silenciosas podem se manifestar e gerar dores importantes”, alerta o especialista.
Ansiedade também influencia as dores
Nem sempre o problema está apenas na postura ou no esforço físico. Além disso, fatores emocionais também exercem influência direta sobre a saúde da coluna.
O estresse e a ansiedade aumentam a tensão muscular e podem desencadear crises em pessoas que já apresentam alguma alteração.
“O emocional não cria a doença, mas pode funcionar como um gatilho importante para quem já apresenta alguma alteração”, explica Dr. Halisson.
Quando procurar um especialista
O médico recomenda procurar avaliação quando a dor permanecer por mais de seis semanas. Da mesma forma, sintomas como perda de força, formigamentos ou diminuição da sensibilidade nos braços e pernas exigem investigação médica.
Segundo o especialista, identificar o problema precocemente aumenta as chances de controlar a dor e evita a progressão do quadro.
Pequenas mudanças ajudam a proteger a coluna
Embora o estilo de vida moderno aumente os riscos, algumas atitudes podem reduzir significativamente a sobrecarga sobre a coluna.

Entre elas, praticar atividade física pelo menos três vezes por semana, ajustar corretamente a altura da cadeira, da mesa e do computador e levantar-se pelo menos uma vez por hora durante o expediente.
“O corpo humano foi feito para se movimentar. Permanecer muitas horas na mesma posição é um dos maiores inimigos da coluna”, reforça o neurocirurgião.
Especialistas alertam que cuidar da coluna deixou de ser uma preocupação apenas da terceira idade. Por isso, manter bons hábitos desde a juventude pode reduzir dores, preservar a qualidade de vida e evitar tratamentos mais complexos no futuro.



