Há dias em que a notícia não cabe apenas no fato. Nesta terça-feira (18), o Brasil se despediu de Laura Cardoso e Glória Menezes, duas mulheres que ajudaram a escrever a própria história da dramaturgia brasileira.
Laura Cardoso morreu aos 98 anos, em São Paulo, após uma trajetória artística de mais de oito décadas. Já Glória Menezes morreu aos 91 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro.
Mais do que duas atrizes consagradas, elas fizeram parte da memória afetiva de diferentes gerações.
Laura Cardoso: uma vida dedicada à atuação
Laura começou ainda no rádio e se tornou uma das pioneiras da televisão brasileira. Ao longo da carreira, acumulou mais de uma centena de trabalhos e passou por novelas que marcaram época, como “Mulheres de Areia”, “A Viagem” e “Gabriela”.
Mesmo depois de décadas de profissão, continuou atuando. Seu último trabalho foi o curta “Dona Rosinha”, lançado em 2025.
Era uma daquelas artistas cuja presença dispensava apresentações. Bastava aparecer em cena.
Glória Menezes: elegância que atravessou décadas
Glória Menezes também esteve entre as pioneiras da televisão. Começou profissionalmente no fim dos anos 1950 e construiu uma carreira de mais de seis décadas entre TV, cinema e teatro.
Na televisão, esteve em produções como “Irmãos Coragem”, “Rainha da Sucata”, “A Próxima Vítima”, “A Favorita” e “Totalmente Demais”. No cinema, participou de “O Pagador de Promessas”, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes.
Ao lado de Tarcísio Meira, com quem foi casada por 59 anos, também formou um dos casais mais emblemáticos da história da televisão brasileira.
Ficam as histórias
Para um país que aprendeu a acompanhar novelas em família, personagens também acabam se misturando às próprias lembranças.
Laura Cardoso e Glória Menezes estiveram ali durante décadas.
Mudaram os aparelhos de televisão, as novelas, os autores e até a maneira de assistir. Elas permaneceram.
Por isso, esta terça-feira deixa uma coincidência especialmente triste para a cultura brasileira.
O Brasil perdeu duas atrizes.
Mas a dramaturgia brasileira se despede de duas partes importantes da própria história.
