Artesã de Campo Grande produz peças personalizadas pintadas à mão em seu ateliê criativo.
Fran em um dos cursos que oferece no FL Ateliê Criativo

O que começou com a observação silenciosa da avó e da tia fazendo crochê, bordados e trabalhos artesanais se transformou, anos depois, em um negócio que cresce junto com a busca por experiências criativas e personalizadas. À frente do FL Ateliê Criativo, em Campo Grande, Franciane encontrou no artesanato não apenas uma profissão, mas também uma forma de desacelerar e criar conexões por meio da arte.

Prestes a completar 30 anos, a artesã conta que o universo manual sempre esteve presente em sua vida. Embora tenha perdido as principais referências da família ainda na infância, as lembranças permaneceram vivas e despertaram uma curiosidade constante por aprender novas técnicas.

“Eu sempre fui encantada pela transformação. Você pega uma folha de papel e transforma em uma caixa, uma linha e cria um bordado. Isso sempre me fascinou”, relembra.

Um ateliê que nasceu na pandemia

A trajetória do FL Ateliê Criativo começou oficialmente no fim de 2019, quando Franciane ganhou uma máquina de corte e decidiu investir na papelaria personalizada. A ideia era lançar o negócio durante a Páscoa de 2020. No entanto, a chegada da pandemia mudou os planos.

Mesmo diante das incertezas daquele período, ela manteve os atendimentos e passou a produzir caixas personalizadas, convites e presentes para clientes próximos. Ao mesmo tempo, conciliava o artesanato com a graduação em Direito e o trabalho em uma cooperativa de saúde.

Em 2022, uma mudança para Natal (RN) interrompeu temporariamente as atividades do ateliê. Porém, a distância apenas reforçou a certeza de que o artesanato continuava ocupando um espaço importante em sua vida.

“Foi um período em que senti muita falta de criar. Quando voltei para Campo Grande, as pessoas continuavam me procurando para fazer as caixas e os personalizados”, conta.

A pintura que mudou os rumos do negócio

A virada aconteceu em 2025, quando Franciane decidiu experimentar uma nova técnica após ganhar uma xícara pintada à mão durante o período em que morou no Nordeste.

Sem experiência profissional na área, ela começou estudando por conta própria e fez um curso rápido para entender os fundamentos da pintura em peças personalizadas. A primeira encomenda veio de uma amiga.

O que seriam apenas três taças personalizadas acabou se transformando em um pedido de 16 peças.

“Ali eu percebi que as pessoas gostavam do meu trabalho e que aquilo fazia sentido para mim. A pintura me conecta, me acalma e me faz muito bem”, afirma.

Desde então, o FL Ateliê Criativo passou a concentrar boa parte da produção em taças, canecas, xícaras e objetos personalizados pintados à mão.

Oficinas unem criatividade e bem-estar

O crescimento das redes sociais trouxe uma surpresa. Além das encomendas, muitas pessoas começaram a procurar Franciane para aprender as técnicas utilizadas nas peças.

Dessa forma, surgiram as oficinas criativas, realizadas atualmente em parceria com o Café no Refúgio. Segundo a artesã, os encontros vão além do aprendizado técnico.

“As pessoas querem viver uma experiência. Elas procuram um momento para desacelerar, relaxar e criar algo com as próprias mãos”, explica.

O sucesso das oficinas já resultou em listas de espera para novas turmas. Além disso, Franciane foi convidada para participar de projetos voltados à criatividade e ao bem-estar em Campo Grande.

O próximo passo

Hoje, o FL Ateliê Criativo funciona dentro da própria residência da artesã. No entanto, os planos para o futuro incluem abrir as portas do espaço para receber visitantes, alunos e clientes.

A proposta não é criar uma loja tradicional, mas compartilhar o ambiente onde as peças são produzidas e onde novas ideias ganham forma.

Enquanto isso, as encomendas seguem crescendo. Tudo continua sendo feito artesanalmente, desde a pintura até a embalagem final.

“Eu acredito muito no artesanal. Cada peça precisa representar quem vai receber aquele presente. Por isso, tudo é pensado com cuidado e feito à mão”, resume.

Em uma época marcada pela velocidade e pela produção em escala, histórias como a de Franciane mostram que ainda existe espaço para o trabalho manual, para a criatividade e para o valor das peças carregadas de significado.

Conheça o trabalho, @fldecoracao

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