Duas visões de mundo completamente diferentes. De um lado, Sigmund Freud, ateu e um dos nomes mais influentes do século XX. Do outro, C.S. Lewis, ex-ateu que se tornou um dos mais conhecidos defensores da fé cristã. É desse encontro imaginário que nasce “A Última Sessão de Freud”, espetáculo que estreia nesta sexta-feira (7), às 20h, no Teatro Glauce Rocha, em Campo Grande.
No palco, Odilon Wagner e Marcello Airoldi colocam fé, razão, existência, guerra e o sentido da vida no centro da conversa. No entanto, apesar da profundidade dos temas, a montagem aposta em uma linguagem acessível e também bem-humorada.

A peça chega à Capital depois de ultrapassar 420 apresentações e 180 mil espectadores desde 2022. Além disso, Campo Grande recebe três sessões: nesta sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 17h.
Mais humano e menos caricatural
Na história, Freud tem 83 anos e vive em Londres quando recebe C.S. Lewis, professor de Oxford. Naquele momento, Lewis já havia abandonado o ateísmo e se convertido ao cristianismo. O encontro desperta a curiosidade de Freud e dá início ao confronto de ideias que conduz o espetáculo.
Para Odilon Wagner, que interpreta Freud, um dos objetivos é apresentar ao público o homem por trás da figura histórica.
“A ideia da peça foi justamente buscar a humanidade. Quem era este homem? Um dos temas centrais é a existência ou não de Deus, o sentido da vida, o que estamos fazendo aqui.”
Um elogio ao diálogo
Embora fé e ateísmo estejam no centro da trama, Marcello Airoldi chama atenção para outra questão. Para o ator, a força da peça também está na capacidade de colocar duas pessoas com pensamentos opostos frente a frente sem transformar a divergência em violência.

Além disso, o contexto histórico amplia essa reflexão. Freud e Lewis conversam justamente quando a Europa acompanha o início da Segunda Guerra Mundial. Décadas depois, em um mundo novamente marcado pela polarização, a discussão ganha novos significados.
“O vencedor é o público”
A montagem também evita escolher um lado. Freud representa o pensamento ateu, enquanto Lewis defende a fé cristã. Ainda assim, nenhum deles termina a conversa como vencedor.
“Não tem vencedor, não tem tendência para um lado nem para o outro. O público se sente contemplado. O vencedor é o público, que tem um monte de ideias e reflexões para levar para casa”, afirma Odilon.
Por isso, mesmo entrando no quinto ano consecutivo de apresentações, a reação da plateia continua surpreendendo os atores. Segundo Odilon, há sessões em que o público levanta e grita ao final, numa reação que ele compara à de um “show de rock”.
Estreia terá debate especial
Depois da apresentação desta sexta-feira, a conversa continuará fora da dramaturgia. O público poderá participar de um debate com Odilon Wagner, Marcello Airoldi, Thiago Ravanello e Diego Aydos.
Para Airoldi, o encontro prolonga a experiência vivida durante o espetáculo e permite uma nova troca de ideias com a plateia.
Já no sábado (8), a sessão começa às 20h. Por fim, no domingo (9), a temporada campo-grandense se despede com apresentação às 17h.
Serviço
A Última Sessão de Freud
Sexta-feira (7): 20h, com debate após a sessão
Sábado (8): 20h
Domingo (9): 17h
Local: Teatro Glauce Rocha – UFMS, Campo Grande
Ingressos: disponíveis pela Sympla.
