Tem pintado, pacu, baru, guariroba, pequi, erva-mate, sobá e influências que atravessaram as fronteiras com Paraguai e Bolívia. Do outro lado dessa grande mesa estarão alguns dos nomes mais reconhecidos da gastronomia brasileira.
Nesta sexta-feira (14) e sábado (15), Campo Grande recebe pela primeira vez o Mesa Ao Vivo Mato Grosso do Sul, encontro que promete transformar a Capital em um dos principais endereços da gastronomia brasileira durante dois dias.
E não estamos falando de um evento pequeno.
Serão mais de 1.700 metros quadrados, quatro auditórios independentes e uma programação simultânea com aulas-show, palestras, debates, degustações e experiências gastronômicas no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo.
Além disso, a programação principal tem entrada gratuita.
Uma cozinha que só poderia nascer aqui
A primeira edição sul-mato-grossense chega com o tema “Sabores do Mato Grosso do Sul: uma cozinha que nasce do Pantanal, das fronteiras e da biodiversidade”.
E talvez essa seja a melhor maneira de explicar o que estará acontecendo por lá.
A proposta não é simplesmente reunir chefs famosos para cozinhar. O evento coloca a gastronomia de Mato Grosso do Sul no centro da conversa e busca mostrar como Pantanal, Cerrado, povos indígenas, imigração e as fronteiras com Paraguai e Bolívia ajudaram a formar aquilo que comemos hoje.
Por isso, ingredientes como pintado, pacu, baru, guariroba e pequi dividem espaço com técnicas contemporâneas e tradições que atravessaram gerações.
É uma oportunidade de olhar para pratos que fazem parte da nossa rotina e perceber quanta história existe dentro deles.
Um time de peso desembarca em Campo Grande
A lista de convidados ajuda a dimensionar o evento.
Estão confirmados nomes como Rodrigo Oliveira, Jefferson Rueda, Ivan Ralston, Mara Salles, Ian Baiocchi, Flávia Quaresma, Lucas Corazza, Mohamad Hindi e Marcos Livi.
Ao lado deles estarão chefs, pesquisadores, produtores e profissionais que representam diferentes regiões e tradições gastronômicas de Mato Grosso do Sul.
Assim, a cozinha regional não aparece apenas como coadjuvante. Ela divide a mesa com alguns dos profissionais mais conhecidos do país.
E o primeiro prato já diz muito sobre MS
A programação começa às 11h desta sexta-feira (14). Logo na abertura, o chef e pesquisador Paulo Machado divide a atividade com Albertina Terena, anciã e artesã da Terra Indígena Taunay. Juntos, eles apresentam o lambreado pantaneiro e o hi-hi.
Poucos minutos depois, às 11h15, Lucas Caslu e Nilton Shimada levam para outra sala um prato que praticamente dispensa apresentações para quem mora em Campo Grande: o sobá.
E olha que interessante: em menos de meia hora de evento, já estarão representadas duas histórias fundamentais da nossa gastronomia.
De um lado, a presença indígena.
Do outro, a influência da imigração japonesa que ajudou a transformar o sobá em patrimônio afetivo dos campo-grandenses.
Jefferson Rueda também entra nessa cozinha
Às 11h30, outro nome bastante conhecido assume a programação.

Jefferson Rueda, chef de A Casa do Porco, em São Paulo, participa de uma atividade sobre cadeia alimentar, produção e projetos relacionados à gastronomia.
Depois disso, as atividades seguem simultaneamente ao longo do dia.
À tarde, por exemplo, Paco Kawijian apresenta um encontro entre Oriente Médio e África. Já Jessica Trindade trabalha o pintado do Pantanal em diálogo com ingredientes e técnicas de outros biomas brasileiros.
Também haverá uma conversa sobre a Rota Bioceânica dos Sabores, colocando a cachaça brasileira em diálogo com a América do Sul.
Ou seja: a fronteira deixa de aparecer apenas no mapa e chega ao prato.
Tem vinho, produtores, fogo e até Festival Farofa do Brasil
E não será preciso passar os dois dias sentado em um auditório.
O público poderá circular pelos diferentes ambientes e escolher entre aulas, palestras, degustações e outras experiências.
Além disso, a programação inclui feira de vinhos, produtores artesanais, Festival Farofa do Brasil e atividades dedicadas ao fogo.
Também haverá a exibição do documentário “Mulheres da Fronteira – Uma Comitiva de Sabores pelo Pantanal”.

No fim das contas, o Mesa Ao Vivo chega a Campo Grande fazendo algo que nossa gastronomia merece há bastante tempo: colocar Mato Grosso do Sul à mesa para que o Brasil conheça não apenas nossos pratos, mas as histórias, povos e encontros que deram origem a eles.
E, por dois dias, essa mesa estará posta no Parque dos Poderes.
Serviço
Mesa Ao Vivo Mato Grosso do Sul 2026
Quando: 14 e 15 de agosto
Onde: Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo, Campo Grande
Entrada: gratuita, mediante inscrição pelo site oficial do Prazeres da Mesa
Programação: aulas-show, palestras, debates, degustações, feira de vinhos, produtores artesanais e experiências gastronômicas
